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[CAL-DAY-RAH-DAH]


Caldeirada é uma expressão que quando usada em sentido figurado descreve uma confusão, salganhada ou miscelânea numa alusão ao prato que lhe dá o nome. Este, diz-se ter origem no recipiente onde era preparado, caldeira e também no caldo que caracteriza a receita.

É um prato de peixe tradicionalmente português, que no entanto faz parte da cozinha regional das regiões costeiras de todo o mundo com algumas variações de tempero e ingredientes: a bouillabaisse francesa, a calderada galega, a caldereta asturiana ou até o cacciucco italiano.

De origem popular, a Caldeirada conta a história do nosso litoral de norte a sul. Onde há pescadores, há Caldeirada! Tem origem no mar e era um prato preparado a bordo pelos pescadores usando uma mistura de peixes de menor valor comercial ou os que estivessem danificados, sendo que este peixe, tem de ser sempre fresco, acabado de pescar.

As Caldeiradas que nascem no estuário misturam peixes do mar e do rio, bem como os fígados de alguns deles dando, ainda hoje, o valioso exemplo de que tudo se aproveita em nome da sustentabilidade e da fome. O caldo que sobrava dava ainda para preparar uma sopa acrescentando tradicionalmente milho ou massa de cotovelinho.
Aos peixes e mariscos de cada versão, foram-se juntando outros ingredientes trazidos pelas naus: batata, tomate, pimento e malagueta. A receita é muito simples, é tudo cozinhado a crú, sem refogar, em camadas começando pelos ingredientes mais duros e terminando com os mais delicados. Nos barcos chegava a usar-se água do mar, o que dava um toque especial.

No Algarve há diferentes formas de cozinhar Caldeirada, mas todas partilham o mesmo segredo: uma cozedura lenta e a baixa temperatura, tapada para abafar e apurar os ingredientes das várias camadas que vão cozendo homogeneamente fundindo todos os sabores no caldo.

Quando a batata está cozida todo o resto também e o tacho vai para a mesa. Para servir no prato também é preciso preceito, deve retirar-se de baixo para cima com muito cuidado para não desfazer o peixe e apanhar todas as camadas.

As Caldeiradas variam de barco para barco e cada localidade vai expressando o seu MODO de fazer em função dos seus recursos naturais e é este o património de grande riqueza cultural que nos permite conhecer os saberes tradicionais, entender a evolução histórica e social do povo português e do Algarve e quem sabe dar-lhe novas dimensões!

O projeto [CAL-DAY-RAH-DAH] nasce da inspiração neste prato típico (do qual esta é a descrição fonética) enquanto metáfora. Muitas relações se podem encontrar, uma tradição popular que se quer dar a conhecer; uma mistura de sabores que resultam da diversidade cultural que encontramos no Algaeve e em Portimão, influências regionais, nacionais e até internacionais num cozinhado lento feito com brio e preceito do qual se apura um caldo alquímico cheio de histórias!

Queremos juntar amigos, famílias, desconhecidos, ouvir e contar histórias, unir a comunidade, dar a conhecer o Algarve e Portimão, esta bela miscelânea que é nossa e é o que o tempo foi, ora construindo, ora destruindo, ora reconstruindo e cabe-nos preservar e divulgar o melhor que por aqui passou, o que ficou e o que pode ainda vir a ser criado!